quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Na ONU, Assad admite erros



Nações Unidas, (AE) - O presidente da Síria, Bashar Assad, admitiu "alguns erros" foram cometidos pelas forças de segurança sob seu comando durante a repressão aos protestos ocorridos no país ao longo dos últimos meses. A admissão foi feita durante encontro com uma delegação integrada por altos diplomatas de Brasil, Índia e África do Sul, segundo nota divulgada pelos países, que integram o Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU).
Enquanto a reunião era realizada, partidários do Regime faziam um protesto em favor do ditadorEnquanto a reunião era realizada, partidários do Regime faziam um protesto em favor do ditador

Os vice-ministros das Relações Exteriores dos três países foram recebidos hoje em Damasco por Assad e por seu chanceler, Walid Muallem. Segundo comunicado divulgado logo depois do encontro, os diplomatas pediram "o fim imediato de toda a violência".

Assad "admitiu que alguns erros foram cometidos pelas forças de segurança no estágio inicial do levante e que foram tomadas medidas destinadas a impedir sua reincidência", diz a nota, divulgada na sede da ONU pela missão indiana na entidade.

Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que mais de 2.000 pessoas morreram na repressão aos protestos iniciados em meados de março, apesar de não haver meios de confirmação independente das cifras. Mais mortes foram divulgadas hoje, enquanto Assad e seu chanceler recebiam os diplomatas estrangeiros.

O presidente sírio "reafirmou à delegação seu comprometimento com o processo de reformas, direcionado ao desenvolvimento de uma democracia multipartidária". Ainda de acordo com a nota, Assad "disse que as reformas políticas estão sendo finalizadas em consultas com o povo da Síria e que o diálogo nacional continuaria a dar forma a novas leis e a desenvolver um modelo adequado para a economia". A intenção de Assad seria concluir as revisões constitucionais entre fevereiro e março de 2012.

Brasil, Índia e África do Sul encontram-se entre os integrantes do CS da ONU que resistem à pressão dos Estados Unidos e da Europa para que medidas mais drásticas sejam adotadas contra a Síria no âmbito da entidade. Na semana passada, uma condenação da presidência do CS da ONU à violência na Síria foi aprovada mediante consenso.

Sem ter conseguido apoio para uma ação mais dura contra a Síria no âmbito da ONU, os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira a imposição de sanções a um dos maiores bancos e à maior empresa de telefonia celular do país. O Departamento do Tesouro anunciou nesta quarta-feira que acrescentou o banco estatal Commercial Bank of Syria e sua subsidiária libanesa, o Syrian Lebanese Commercial Bank, e a empresa de telefonia móvel Syriatel à sua lista negra.

A medida congela qualquer ativo que as empresas tenham nos Estados Unidos e proíbe norte-americanos de fazerem negócios com estas companhias. A decisão foi anunciada em um momento no qual o governo norte-americano se prepara para, pela primeira vez, pedir explicitamente que Assad deixe o poder.

Enquanto isso, tropas sírias tomaram hoje o controle de Deir el-Zor, no leste do país, após intensos bombardeios e disparos, informou um ativista na cidade. Segundo ele, o bairro de Mattar Qadim foi o último a ser dominado. A cidade está sob ataque das forças do governo há quatro dias.

"Eles atiram contra qualquer coisa que se mova", disse o ativista, que falou por telefone com a Associated Press sob a condição de anonimato. "A situação é terrível. Padarias e farmácias estão fechadas e comida e alimentos para bebês são escassos."

Há cinco meses as forças sírias usam força pesada para tentar conter o levante. Autoridades sírias dizem que as manifestações são de responsabilidade de terroristas e criminosos, enquanto os manifestantes afirmam que estão desarmados e apenas querem reformas.

Na manhã desta quarta-feira, tropas sírias lançaram uma operação em três subúrbios da capital Damasco e também na vila de Sarmin, no noroeste, onde uma mulher foi morta e três pessoas ficaram feridas, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos, sediado em Londres.

O Ministério da Informação organizou uma viagem nesta quarta-feira até a cidade de Hama, região central do país, onde ocorreram algumas das maiores manifestações contra o governo autocrático de Assad. Um repórter da AP participou da viagem organizada pelo governo e viu barreiras de cimento e metal pela cidade, assim como soldados retirando as barricadas feitas pelos moradores. Pilhas de lixo são vistas nas ruas, praticamente desertas.

Na entrada sul da cidade, uma delegacia de dois andares está totalmente queimada. Segundo as autoridades, o local foi atacado por homens armados no dia 31 de julho e todos os policiais que estavam em seu interior morreram. Mais tarde, cerca de 50 veículos colocados sobre caminhões foram vistos deixando a cidade.

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